Atividades remotas: nossos objetivos e estratégias

Desde a primeira semana do confinamento, submetidos às mesmas condições e incertezas que a maioria da população, os membros da nossa equipe assumiram  o desafio de construir uma nova forma de ensinar, de se comunicar, de trabalhar em equipe.

Ninguém previa, no início, que seríamos privados por tanto tempo daquilo que mais apreciamos e que fundamenta o nosso trabalho: o contato quase cotidiano com nossos alunos, nossos colegas, nossa Escola. Ao longo destas semanas, as estratégias e os métodos de trabalho foram se aprimorando, se diversificando e se enriquecendo.

Veja, aqui, sobre quais fundamentos, com que objetivos e estratégias construímos nossa forma de realizar o trabalho pedagógico à distância.

Atividades remotas: qual a estratégia da Escola da Ilha?

A prioridade é tornar esta fase do aprendizado produtiva, agradável e motivadora para os alunos.

Nas primeiras semanas, os professores privilegiaram a consolidação de conteúdos já trabalhados.

A introdução de assuntos novos começou a se dar progressivamente, à medida em que todos tiveram acesso ao portal e se familiarizaram com as novas dinâmicas e ferramentas. Em meados de abril, viabilizamos o Minhas Aulas, plataforma que permite o trabalho de vários conteúdos de forma variada:

  • vídeo aulas, gravadas pelos professores;
  • links para sites de pesquisa ou vídeos produzidos por outras pessoas;
  • textos e documentos para download (leitura, estudo, tarefas de casa);
  • trabalhos e tarefas a entregar aos professores (fazendo upload de arquivos ou respondendo no próprio portal);
  • provas de múltipla escolha.

Depois de familiarizados com a ferramenta do Minhas Aulas, os professores começaram a realizar aulas ao vivo, seja pela plataforma Zoom, seja pelo Plurall (Ensino Médio). Elas ganharam regularidade e um calendário estruturado e estão tendo boa participação dos alunos.

Mas as aulas ao vivo não serão a única forma de trabalho. A primeira razão é que o trabalho pedagógico da Escola é sempre dinâmico e combina muito trabalho de reflexão individual ou coletivo dos alunos, suscitados e orientados por um variado leque de estratégias dos professores: desafios, tarefas, textos para leitura, projeção de filmes ou vídeos, discussões em grupo. A segunda é que as aulas ao vivo têm vários inconvenientes: dificuldades de acesso de alguns alunos, dificuldade de interação entre alunos e professores, dificuldade dos alunos de permanecer muitas horas diante de um computador.

Buscamos levar sempre em conta as condições diferenciadas de participação dos alunos, os aspectos legais e nosso compromisso com a qualidade do ensino. Adotamos, por isto, um princípio: nenhum aluno será prejudicado em razão das dificuldades do momento.

Atividades remotas: nossas prioridades

Nossa primeira preocupação, desde a paralisação, foi assegurar aos alunos um canal com conteúdos adaptados ao trabalho à distância; trata-se de garantir o direito à educação previsto na Constituição.

Também buscamos assegurar que todos os alunos se mantivessem produtivos, ativos nos estudos, conectados; o problema que persiste em muitas famílias, que não têm computadores suficientes em casa, ou cuja internet é instável, ou que não estão acostumados a lidar com plataformas digitais;

Para isto, testamos e avaliamos várias das plataformas digitais disponíveis e reforçamos nossa equipe de TI para implementar as soluções encontradas.

Os professores tiveram que fazer um novo planejamento, para propor os conteúdos que pudessem ser trabalhados à distância e os demais serão tratados na volta às aulas. Adaptaram suas estratégias de trabalho e suas metodologias, e, por fim, aprenderam usar as ferramentas de trabalho para ensino à distância.

Atividades remotas: alcances e limites

Desde os primeiros momentos da paralisação, trabalhamos nesta perspectiva, conscientes de seus principais limites.

Temos total conhecimento de que atividades não presenciais não substituem plenamente as atividades no ambiente escolar, pela falta de interação real dos alunos entre eles e com os professores e pela impossibilidade de utilizar os aparatos e recursos pedagógicos utilizados no ambiente escolar.

Por esta razão, alguns dos objetivos pedagógicos podem ficar comprometidos. É o caso de alguns dos objetivos voltados para a alfabetização, por exemplo.

Temos também plena consciência de que o ensino formal é responsabilidade da escola. Mas, nesse momento atípico, a parceria das famílias é fundamental, mesmo sabendo das limitações de cada uma e da diversidade de situações em matéria de disponibilidade, equipamentos, conhecimentos tecnológicos e acadêmicos, acesso à internet, rotinas, etc.

Por fim, sabemos que o ensino à distância tem metodologias e estratégias diferentes do ensino presencial e exige, portanto, professores capacitados para tanto. Nossos professores são capacitados para dar aulas presenciais e não são nem comunicadores, nem professores especializados em EAD. Muitos, por sinal, tem as mesmas dificuldades de acesso à internet e de manejo de tecnologias digitais que muitas das famílias de alunos.

Aulas ao vivo: alcance e limites

Progressivamente, as aulas ao vivo se incorporam às demais atividades propostas aos alunos. Estes encontros periódicos entre professores e alunos é útil para esclarecer dúvidas, para abordar novos conteúdos e, sobretudo, para reestabelecer o vínculo interrompido pelo o distanciamento. Além disso, os alunos podem interagir entre si.

Elas ganharam regularidade e calendário fixo, com aulas semanais (disciplinas com maior carga horária) e aulas quinzenais. Os calendários foram divulgados aos pais por e-mail. As aulas serão sempre marcadas pelo Minhas Aulas, onde estarão os seus links respectivos.

Entretanto, optamos por não concentrar todas as atividades nas aulas ao vivo, por várias razões.

Nas duas pontas, há dificuldades de conexão e de concentração de diversas ordens: velocidade de internet, dificuldade no uso de softwares, várias pessoas e um só computador, várias pessoas circulando no ambiente, sons diversos interferindo.

As aulas ao vivo não substituem o contato real entre professor e aluno, e não reproduzem nossa forma de trabalho nas aulas presenciais, já que raramente realizamos, em sala, aulas expositivas nas quais os professores falam, os alunos anotam e, no final, fazem algumas perguntas.

Objetivos para o Infantil

Nesta faixa etária, o trabalho à distância tem limites óbvios, pela falta de autonomia, pela falta de interação real com os professores e pela impossibilidade de utilizar os aparatos e recursos pedagógicos usados no ambiente escolar (blocos lógicos, brincadeiras simbólicas, atividades voltadas para a motricidade, hora do conto – na qual os alunos são também atores,  rodas de conversa, as rotinas escolares, entre outros).

Ao propor atividades pedagógicas pelo sistema acadêmico, temos um primeiro objetivo: com o auxílio das famílias, proporcionar aos alunos momentos produtivos, dando continuidade – na medida do possível – ao processo de ensino-aprendizagem.

Na Educação Infantil, a proposta é trabalhar a aproximação com as diferentes linguagens (escrita, plástica, matemática, corporal), baseadas em atividades concretas, lúdicas, de fácil realização e com didáticas adequadas para cada faixa etária.

Nosso segundo objetivo: manter, também na medida do possível, o vínculo dos professores com seus alunos. Este é o objetivo dos inúmeros vídeos produzidos pelo corpo docente

Objetivos para o 1º ano do EF

As turmas do 1° ano do Ensino Fundamental se encontram no processo de alfabetização, um momento rico em descobertas e imprescindível para a aquisição da leitura e da escrita. Somos cientes do papel fundamental do professor mediador, exercido junto ao grupo diariamente, bem como a troca que acontece entre os pares.

Para estas turmas, é importante dar continuidade ao trabalho iniciado no Ensino Infantil de aproximação com as diferentes linguagens (escrita, plástica, matemática, corporal).

As atividades propostas pelos professores de 1º ano se pautam, também, no desenvolvimento cognitivo de forma lúdica, estimulando o pensamento lógico, criativo e crítico, bem como o desenvolvimento da habilidade de questionar, argumentar, interagir e ampliar sua compreensão de mundo, formando substratos para que sejam utilizados em momentos adequados.

Objetivos para o Ensino Fundamental e Médio

As atividades propostas contemplam a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação e a BNCC – Base Nacional Comum Curricular, mas exigiram um grande esforço para adequar à situação todo o planejamento pedagógico elaborado no início do ano, tendo em vista os limites que apontamos acima.

Nestas faixas etárias, as atividades do Minhas Aulas permite a abordagem da grande maioria dos conteúdos e o desenvolvimento de várias habilidades, pois os alunos vão ganhando mais e mais autonomia. Além de assegurar uma interação entre os alunos e deles com os professores, as aulas ao vivo permitem também o esclarecimento de dúvidas sobre as atividades e, eventualmente, a introdução de novos conteúdos.

No caso do Ensino Médio, intensificamos também o uso da plataforma Plurall, do Anglo / Somos Educação, onde os alunos encontram todo o material didático do Anglo e realizam provas, trabalhos e simulados do vestibular e do ENEM.

Minhas aulas: como acompanhamos os alunos

Estamos monitorando os acessos dos alunos e entrando em contato com todos aqueles que tem dificuldades de acesso às plataformas ou de adaptação a esta forma de estudos. Temos buscado contato com as famílias dos alunos que não estão acompanhando as atividades no ritmo dos demais e buscado com elas soluções para cada caso, inclusive para os casos em que não há impressora, internet ou dispositivos para estudos remotos.

No Minhas Aulas, as tarefas e algumas provas são realizadas no próprio portal e os retornos estão sendo dados na própria plataforma.

Mais do que dar nota aos alunos, estas avaliações nos permitem adequar os conteúdos e os ritmos de trabalho e, quando necessário, reforçar as explicações ou melhorar as formas de apresentação dos conteúdos.

Na volta às aulas, realizaremos uma avaliação diagnóstica de todas as turmas e todos os conteúdos e habilidades que não foram contemplados, serão retomados.

Temos, também, desenvolvido conteúdos e formas de avaliação específicos para os alunos com necessidades educacionais especiais, sob a supervisão direta da nossa psicopedagoga, que tem acompanhado o trabalho dos professores das respectivas turmas e mediado junto às famílias.

Nenhum conteúdo será eliminado de nosso programa. Em alguns casos, o planejamento de 2021 será impactado, caso não tenhamos condições plenas de assegurar todos objetos de conhecimento e habilidades.

Dispositivos legais

O Conselho Municipal de Educação, orienta as escolas a manter disponíveis aos seus estudantes canais que lhes propiciem o direito à educação (nota de esclarecimento de 08 de Abril de 2020), baseando-se em dois preceitos legais: o direito constitucional à educação (art. 205) e a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que, no artigo 32, normatiza o ensino fundamental e estabelece:

Par. 4º – O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.

Várias determinações legais foram editadas sobre este tema. As primeiras – Medida Provisória n° 934/2020 e a Resolução CEE/SC nº 009/2020 – estabelecem regras para permitir a conclusão do ano letivo de 2020, levando-se em conta as atividades pedagógicas não presenciais. Não se aplica mais a exigência de cumprimento dos 200 dias letivos. Mas não deixa de ser obrigatório assegurar 800 horas letivas.

Uma nova resolução do Conselho Estadual de Educação (nº 049/2020) permite às escolas combinar, até 31 de dezembro de 2020, o ensino presencial com o ensino não presencial. A Escola da Ilha está se preparando para esta eventualidade, que poderá ser obrigatória ou opcional no protocolo de volta às aulas que está sendo elaborado pelo governo estadual.